
Bio — Luiza Prado

MAVRA, pseudônimo de Luiza Jesus do Prado usado em trabalhos selecionados com o corpo, desenvolve uma prática performativa que articula absurdismo, BDSM, ritual e a hipérbole dos estereótipos sexuais como dispositivos para a investigação da memória.
Ela também assina trabalhos como Luiza Prado.
O absurdismo opera como método de fratura narrativa, interrompendo lógicas lineares e expondo fissuras na construção histórica da identidade. Ao encenar situações de deslocamento e colapso simbólico, suas performances ativam camadas reprimidas da memória individual e coletiva.
O BDSM é mobilizado como alegoria do teatro social, no qual poder, submissão e desejo são encenados como papéis codificados. Ao relocar esses signos no espaço da performance, a artista evidencia sua dimensão coreográfica e socialmente construída.
Ela também emprega a amplificação radical dos estereótipos da sexualidade, operando pela saturação e distorção desses códigos. Ao exagerar signos de feminilidade erotizada, expõe sua natureza construída e performativa, revelando a memória cultural que sustenta os imaginários de gênero. Influenciada pelo butoh e atravessada pela figura do matuto, sua prática invoca um corpo rural e arcaico, deslocado dos centros hegemônicos. Esse corpo carrega memórias territoriais e ancestrais, articulando precariedade, espiritualidade e morte como processos contínuos de transformação.
Suas performances assumem um caráter ritual, tratando o corpo como código simbólico e organismo liminar.
A corporeidade emerge como território animalesco e agênero, anterior a categorias fixas de identidade. Nesse estado, o corpo opera como linguagem primária, instintiva, pré-verbal e mnemônica, onde a memória não é apenas lembrança, mas inscrição física e transmissão sensorial.
